sábado, 4 de outubro de 2014

DEUS É DEUS

Francisco de Assis
Vendo a obra, vejo Deus;
sentindo Deus, sou Amor.


Oh!... quantas coisas se escondem de mim, 
de vós, de todos, filhos do Criador.

Sinto-me nada, ante a grandeza do universo;
sinto-me verme, 
pelas belezas que desconhece o meu coração.

Deus tem filhos no mar, nas estrelas, no ar;
Deus tem filhos nas árvores e na terra.
Deus tem filhos até nas guerras.

Que beleza a função da natureza!...
Vejo a luz surgir no escuro,
Vejo a vida perfeita nos monturos;
Vejo o céu nas águas do mar,
Vejo e sinto o Amor no amar.

Quando descanso, a natureza trabalha;
Quando durmo, a natureza trabalha;
Quando trabalho, a natureza trabalha;
Que eu sou?... Nada, diante desta batalha.

Deus é Deus dos justos,
Deus é Deus dos párias,
Deus é Deus dos que viajam,
Deus é Deus dos que ficam em casa!...
Deus é Deus das sombras,
Deus é Deus da luz,
Deus é Deus das trevas,
Deus é Deus de Jesus!...

Quando estou cansado, Deus está ocupado;
Quando estou reclamando, Deus esta obrando.
Quando blasfemo, Deus esta entendendo;
Quando tenho ódio, Deus esta amando.
Quando estou triste, Deus esta sorrindo.

Deus é Sabedoria e eu estou sonhando!...
Que beleza a natureza!...
Que beleza a profundeza da existência, e do existir.
Eu não compreendo, mas luto para me corrigir, 
porém, em fracções do tempo, 
logo quero ajuntar e Deus repartir.

Quero colher, quero usurpar; e Deus passa por mim a semear!...
Luto de novo, mas ainda não sei lutar;
penso na disciplina, mas não me deixo disciplinar.
Avanço... caio! Torno a avançar.

E Deus me ouve, passa novamente pôr mim, 
olha para meus olhos, sente meu coração. 
E fala baixinho ao meu ouvido: vem, vou te ensinar a amar.
Deus Se retira!... sinto a sua ausência!... Peço clemência!
Mesmo assim, Deus não se esquece de mim.
Manda um anjo em meu encalço, num carro fulgurante de luz.
E de braços abertos, caio por terra; 
pensei que era o Cristo de Deus, que era Jesus!
E o cortejo dos céus entra em mim, em cântico de louvor.
Abre o meu coração, deixando dentro dele um tesouro de luz!...
O tesouro da dor.

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